Desmame da Ventilação

 O desmame da ventilação mecânica é o seu processo de retirada gradual.


Verificação Diária

Também chamado de "Despertar Diário", nada mais é que observar a condição geral de desmame do paciente. O quão acordado, lúcido ele está. O quão secretivo ele está (quanto menos secretivo, mais pronto).


Veja o quão desperto está o paciente. Para o desmame, quanto mais desperto melhor. Sedado ele não irá respirar de forma espontânea. A retirada da sedação (papel dos médicos, mas no qual atuamos indiretamente em nosso contato diário com eles) o quanto antes - de forma segura - acelera o desmame.


O Modo Respiratório também é importante. Deve-se usar modos respiratórios espontâneos o quanto antes. O paciente não sairá de um modo controlado (VCV ou PCV) para o desmame. Deverá estar em modo de ventilação espontânea (PSV - Pressão de Suporte Ventilatório) antes.


O volume de secreção é outro aspecto importante. Se o paciente ainda produz muita secreção as chances do desmame bem sucedido são menores.


Verificação Específica

Em pacientes cuja verificação diária indique uma maior prontidão pro desmame, uma verificação mais específica pode ser feita. O que é essa verificação específica? É a verificação de parâmetros mais específicos a respeito da patologia e da condição do paciente. Vamos aos principais:

. verificar se a causa que levou à intubação (causa da falência respiratória) já foi sanada ou está controlada

. adequação da troca gasosa (PaO2 > 60mmO2 com FiO2 de 40% ou menos e PEEP menor ou igual a 8)

. estabilidade hemodinâmica

. drive respiratório

. balanço hídrico zerado ou negativo (últimas 24hs)

. equilíbrio ácido-base e eletrolítico


Esses aspectos estando adequados, pode-se tentar realizar o TRE.


OBS: não estaremos abordando os preditores de sucesso de TRE que muitas vezes são citados. Ou seja, testes que predizem o sucesso do Teste de Respiração Espontânea (não são preditores de sucesso de desmame, mas sim do TRE).


Teste de Respiração Expontânea

Esse teste pode ser feito de diversas formas (em ambas os pacientes devem ser mantidos por, ao menos 30 minutos). Serão mencionadas as 2 mais comuns:


1) PS 7 PEEP 5

Ou seja, ajustar, no ventilador mecânico, em Modo de Pressão de Suporte Ventilatório (PSV), a PEEP em 5 e a PS (pressão de suporte) em 7 e verificar se o paciente irá tolerar esses parâmetros. 


2) Teste do tubo T

Desconecte a ventilação mecânica e conecte a peça T (Tubo T) no tubo endotraqueal, com o nível de O2 (agora oriundo do fluxômetro - tal qual na oxigenioterapia convencional - é só colocar o tubinho do fluxômetro de oxigênio dentro da peça T) que o paciente usava no ventilador, e acompanhar de perto pra ver se o paciente irá tolerar o teste.


Dois vídeos do youtube mostrando o Teste do Tubo T (ambos em inglês):





OBS: se for pesquisar no google em inglês, o termo é "t-piece trial"


Identificando a Falha do TRE

O paciente deve ficar 30 minutos no TRE. Diversas alterações podem indicar a falha no teste:

. SpO2 < 90%

. Apnéia ou Taquipnéia exacerbada (FR > ou = 35)

. IRRS > 105 ou tendo aumento de 20% ou mais

. aumentos significativos da pressão arterial ou da frequência cardíaca, ou alterações como novas arritmias

. presença de sinais de desconforto respiratório (cianose, sudorese, batimento de asas de nariz, etc)



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Tubo Endotraqueal com Rolha

BabyPap - Ventilação Não Invasiva em Pediatria

Ventilação Mecânica em Condições Específicas