Extubação
Outro procedimento que gera bastante insegurança em Fisioterapeutas iniciantes é a extubação de pacientes em ventilação mecânica. Ela é precedida por uma série de testes e observações que compõem o processo de desmame. Aqui falaremos da extubação em si, o desmame estará abordado em outro texto.
Mais uma vez, recomendo que vejam o vídeo da Cynthia Neves sobre extubação. Embora eu me baseie nele para desenvolver o texto a seguir, nem todas as informações que ela fornece estarão no texto. Então vai lá, assista ao vídeo e aproveite para se inscrever no canal dela, o Fisioterapia Prática na UTI.
Riscos da Extubação
1) laringoespasmo - avalie os eventuais riscos de laringosespasmo, como asma, dpoc, broncoespasmo prévio e outros indicativos de maior irritabilidade da laringe
Veja, também, esses textos sobre laringoespasmo:
artigo da revista brasileira de anestesiologia
. pontos importantes desse artigo:
. sugere que não se tire o tubo durante a tosse, para prevenir laringoespasmo.
. em caso de laringoespasmo, Fisioterapeuta pode aplicar CPAP (10cm H2O) com 100% de FiO2, associada à elevação da mandíbula. Existem outras medidas a serem tomadas, mas são medidas realizadas por outros profissionais
2) broncoaspiração
3) PCR
Passos para a realização da extubação:
Teste do "Cuff Leak"
É um teste realizado para se verificar o risco de laringoespasmo. Nele, o objetivo é verificar se ocorre um vazamento de ar na expiração ao se desinsuflar o balonete ("cuff") que envolve o tubo endotraqueal. Deve ser usado em pacientes de alto risco de laringoespasmo.
Para realizá-lo, primeiro aspire bem boca e laringe (de forma a evitar que secreções se dirijam ao sistema respiratório através do espaço que se cria ao se desinsuflar o cuff). Depois, deixando o ventilador mecânico em modo de Volume Controlado (assistido-controlado), verifique se o Volume Corrente Inspirado e Expirado são similares (isso é para verificar se, com o balonete insuflado, não está ocorrendo nenhum vazamento - é isso que esperamos).
Agora, desinsufle o balonete.
Com ele desinsuflado, verifique o volume das próximas expirações. O valor estará diminuindo (assim se espera). Quando estabilizar, anote esse valor e o compare com o volume corrente programado no ventilador.
Caso o valor expirado médio seja 10% menor (ou mais que isso), a desinsuflação do cuff permitiu a criação de um espaço por onde parte do ar expirado está saindo. Em casos onde isso não acontece, presume-se que a laringe esteja "inchada", havendo maior risco de laringoespasmo/edema de laringe assim que o tubo for retirado. Neste caso, não é adequado fazer a extubação. A provável conduta, nesse caso, é (dos médicos) a aplicação de corticoesteróides.
Preparação
a) preparar materiais que serão utilizados
. "babador": lençol, toalha de papel ou abedê, no tórax do paciente, para deixar o tubo após sua retirada e para que o paciente possa tossir e se limpar - também após retirada do tubo (não jogar lençol fora, porém)
. oxigenioterapia: se for necessária, deixar o catéter nasal ou outros ítens de oxigenioterapia - inclusive VNI se for o caso - próximos e preparados. No caso do catéter nasal, deixá-lo ao lado da cabeça do paciente para fácil colocação logo após. Mesma coisa para máscaras e suas fixações.
. seringa: 10 ou 20ml, para desinsuflar o "cuff"
. material de aspiração: no caso de pacientes em sistema aberto.
b) explicar procedimento ao paciente
. "vamos tirar esse tubo da sua garganta e é necessária sua ajuda. Vou pedir, daqui a pouco, pro senhor inspirar profundamente e, daí, vou puxar o tubo. Incomoda um pouco, pois ele está na garganta, e pode dar vontade de tossir ou mesmo vomitar, e tudo isso é normal, fique tranquilo. É rápido, não dói e depois o senhor vai respirar mais confortavelmente. O senhor me ajuda pra gente fazer isso?"
c) posicionar paciente adequadamente
. alinhado em DD
. cabeceira elevada
d) afrouxar fixação do tubo
. pra ficar mais fácil a retirada
e) reposicionar sonda nasoenteral
. colocar sonda pra cima, na cabeça, ou pra trás da orelha, de forma que ela não atrapalhe a retirada do tubo ou seja tracionada ao se retirar o tubo
Processo de retirada do tubo
1) aumente o aporte de O2
. se paciente estava em 21%, aumente para 70 ou 80%; se 40%, coloque 100% - esses são exemplos, apenas.
2) faça a aspiração e desinsufle o "cuff"
. esteja paramentado e tenha todos os materiais (ex: luva estéril) se for aspiração em "circuito aberto"
. faça a aspiração e, com a sonda de aspiração dentro do tubo, desinsufle o "cuff" (a desinsuflação pode ser feita por outra pessoa)
3) remover tubo e sonda de aspiração simultaneamente
. visa impedir que a secreção envelhecida ao redor do "cuff" retorne às vias aéreas. Caso se desinsufle o "cuff" sem que o tubo endotraqueal seja removido, fica existindo um espaço por onde essa secreção pode passar
. sonda vai aspirando durante o movimento de remoção
. peça inspiração profunda ou tosse, para o paciente, e realize a remoção neste momento.
Há uma controvérsia em relação a pedir ou não para o paciente tossir durante a retirada do tubo! Alguns dirão para que se peça a tosse, outros dirão para que se peça uma inspiração profunda!
A verdade é que eu não sei lhes dizer qual a melhor forma. Opiniões são benvindas (nos comentários).
Outra observação fundamental, tem gente que extuba sem aspirar junto. Simplesmente faz a aspiração antes da retirada do tubo, e o retira (no momento da tosse).
4) colocar oxigenioterapia no paciente
. higienize o paciente logo antes (ou quando necessário), pois paciente poderá ter tossido. Tenha um lençol ou abedê no tórax dele, para qualquer limpeza e colocação do tubo e posterior exclusão dos ítens
. catéter nasal, venturi, etc - escolher de acordo com a FiO2 que o paciente usava no ventilador antes da retirada do tubo
O processo de retirada do tubo pode ser feita de outra forma - pedindo para tossir! E aspirando antes da retirada, não durante.
1) aumente o O2, conforme acima
2) faça a aspiração do tubo, orotraqueal e, eventualmente, nasotraqueal
3) desinsufle o "cuff" (e faça o "cuff leak test")
4) peça para o paciente tossir e faça a retirada do tubo
5) coloque a oxigenioterapia no paciente
Mais uma vez, não sei qual a melhor forma de realizar a retirada do tubo.
Opiniões são benvindas (nos comentários).

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